08 maio 2007

Mon Oncle

em exibição...
realizado por Jacques Tati
1958

É um filme quase mudo mas que fala pelos cotovelos!
Fala pelas imagens: a casa e o mobiliário “designados” dos Arpel e as linhas das novas estradas que circundam Paris, a casa e as escadas dos Sr. Hulot, as cores da vida deste antigo quarteirão de Paris; fala pela banda sonora de Franck Barcellini e Alain Romans que, por vezes, até entra pela acção a dentro; e fala pelo som dos movimentos dos personagens: os saltos altos no passeios, os vestidos na Madame Arpel, o repuxo, os engenhos mecânicos que dominam a cozinha dos Arpel, os assobios marotos dos miúdos e as cabeçadas nos poste, o rosnar do cão à cabeça do peixe-espada, o canto do canário encantado com a luz do reflexo…
É um filme cheio de filmes!

“Monsieur e Madame Arpel moram numa casa moderna num bairro asséptico. Neste universo de estilo não há lugar para divertimento, imprevistos ou humor e o filho, Gérard, aborrece-se. Mas eis que surge o seu tio, Monsieur Hulot, irmão da Madame Arpel, um personagem deslocado e inadaptado vindo de um caloroso e caseiro mundo em extinção para dar lugar a um universo confortável, high-tech, clean. Para grande divertimento do seu sobrinho, Hulot provoca a desordem na casa dos Arpel e semeia problemas na empresa Plastac.
O assunto? Monsieur e Madame Arpel têm tudo, alcançam tudo o que ambicionam e na sua propriedade tudo é novo: o jardim é novo, a casa é nova, os livros são novos. Penso que é preciso preveni-los, alguém devia sussurrar à orelha do Monsieur Arpel: atenção, um pouco de humor de vez em quando! O vosso filho só tem 9 anos e parece-me que não têm interesse em se divertirem nem em brincarem com ele. Parece uma mensagem mas não o é: acho que temos a liberdade de dizer a um senhor que esteja a construiu uma casa nova: atenção! Está talvez demasiado bem.”
Texto de Jaques Tati, traduzido do francês partir do sitio oficial Tati Ville

3 comentários:

paulu disse...

Já agora, está no Nimas. Passei lá hoje à porta. :-)

Anónimo disse...

J'adore Tati...

goncas disse...

Tão cedo não esquecerei a secretária que saltitava como um coelhinho ;-)