07 março 2008

E mais grifos

Mira papá, un buitre!

16 janeiro 2008

Grifos

O Big Brother anda de olho posto num ninho de grifos ali para o lado do Tejo Internacional.
Já há um ovo posto no chamado "ninho de baixo" e alguns vídeos com o best of da saga. Estes apanhados são especialmente úteis aos que só têm tempo de "navegar" à noite, quando está tudo escuro.

Depois de publicado este post, entrou em serviço um blog dos Grifos na web onde o biólogo Carlos Pacheco comenta esta aventura. E eis mais uma coisa boa para os que só têm tempo de "navegar à noite". (Ainda assim, devo dizer que não consegui entender de quem é o ovo posto no "ninho de baixo"... meu não é!)

15 janeiro 2008

Pirescoxe, ida e volta


Vejam o que o olho digital captou
uma primeira sequência do mundo do 329!

Em 4 minutos o 329 já zarpou do Campo Grande e agora flutua na mais doce e estranha mistura de gentes pretas, brancas e branquipretas; de paisagens viaduto, paisagens horta e paisagens sabe-se-lá-o-quê; de tempos idos, presentes e sonhados.
O 329 boia nesta mistura espessa. Depois enfuça-se, mergulha, banha-se, vai a Pirescoxe e volta de alma refeita!

(Mais um post homenagem, desta vez parabéns à Cavaleira dos 25!)

07 janeiro 2008

O Cachecol

O Artista precisava do cachecol mas nem por isso - ou talvez por isso mesmo - não deixava de pensar, de ter graça e de desafi(n)ar a língua. Embrulhou-se com o seu tempo. Agora morreu. E vale muito!

Excerto do documentário que há tempos foi para o ar no canal 2 e que hoje voltou a passar na TV. Fala Vítor Silva Tavares, editor e amigo - se bem percebi! Para encher mais um pouco a barriga eis aqui o Pacheco Tradutor.

(Pequenina homenagem do Respigo a Luiz Pacheco.)

31 dezembro 2007

Até que...



... até que a gravidade os separe.

Resistissem mais os compromissos como este paramento resiste ao Tempo,
cumprissem-se mais as promessas como esta cantaria cumpre segurar o vão,
prevalecessem mais as intenções como este muro prevalece de pé,
e tivessem as Palavras mais força que, por certo, o Mundo giraria de outra forma, de outra forma melhor!

... um Próspero Ano de 2oo8!!

20 dezembro 2007

Um Natal sem prendas

Fosse este um Natal sem prendas e eu…
… teria andado pelas ruas a gozar o frio azul destes dias gelados e a olhar para as montras das lojas de ferramentas porque preciso de substituir não interessa o quê lá em casa,
… teria andado a caminho da Segurança Social de mãos vazias dos sacos coloridos com embrulhos-ai‑cuidado-que-se-partem,
… teria quitado da minha cabeça as listas de compras onde dou comigo a hierarquizar o amor‑em‑forma‑de‑matéria que nutro por cada amigo e familiar e, pior do que isso, dou comigo a atribuir preços a cada uma destas pessoas consoante o apreço que lhes tenho,
… teria escapado às enchentes de gente nas ruas e nos centros comerciais, ao trânsito e à luta por um lugar de estacionamento, e teria, portanto, fugido do rasto de consumismo sem travões e do rasto de sonsice sem medida que se apega, e se pega, às gentes nesta altura do ano,
… e no entanto, teria jantado e almoçado com uma família bem disposta, de boca adoçada pelas iguarias únicas da época,
… teria, como sempre, marcado encontro com os amigos mais amigos aproveitando a disponibilidade que a época gera nas nossas cabeças,
… e teria sido devorada por um cândido espírito Natalício que, por uma rara vez, me deixaria a pensar que Natal, afinal, pode não ser sempre a mesma treta!

Não me parece que este viesse a ser um Natal triste, bem antes pelo contrário, tem sido um encanto de Natal. Para mim, largar por completo o Natal com prendas foi tão bom quanto levantar de vez o rabo afundado na cadeira da função pública.
Mas tenham cuidado com esta doutrina do Natal sem prendas, ela vicia-nos o espírito e faz-nos olhar à volta... digamos que de outra maneira.
Bom, agora tenho é de me preocupar em distribuir com primor este meu amor menos canónico, mas franco, por todos os amigos e família (... e seus rebentos a caminho!!).

10 dezembro 2007

Mas Qual Teima?

Eles são dias de céu mesmo-azul e ar mesmo-fresco. São o Cabo Sardão com cegonhas e o Alentejo que até lá nos leva, são o rio Douro, o Mondego, o Tejo e o Sabôr, são estuários de Norte a Sul. São um pires de arroz doce acabadinho de fazer, são açúcar queimado em caramelo, são uma caixinha com uma dúzia dos conventuais Celestes e, já que estamos na altura, são azevias de grão de bico. São uma bica bem tirada, são verdadeiras morcelas de arroz com grelos, são bacalhau cozido com suave banho de azeite, são um robalo escalado. São vinho verde leve do gás, são vinho do Dão espesso da força, são um Raízes tinto do Ribatejo. São um muro acabado de caiar, são azulejos a revestir uma igreja, são calçada de calcário, são beirados com ninhos. São barros de Barcelos, oiros de Viana, festas de Campo Maior, estrelícias dos Açores. São cerejas, são morangos, são figos, Figos e Moutinhos e Cristianos e Vanessas e Naides e Telmas. São garranos no prado, são castro-laboreiros e serras-da-estrela. São inteligentes vias verdes e mb nets e declarações online, mesmo as do IRS. São raros Cornucópias e Ballets Gulbenkians e planos Bês e Bzs e Sinais. São quentes cobertores de papa e grossas mantas de Minde, cestos de vime com pão caseiro de Moitas Vendas que se vai ensopando numa sopa de nabo. Eles são todas estas coisas que, de entre tantas outras, só nós temos e das quais só nós conseguimos gostar assim tão-tanto-tão!

Mais palavras para quê? Os Clã são do melhor do português! Deles já só se espera o Tudo e ainda assim aqueles 5 Artistas conseguem rebentar as nossas espectativas!

O Concerto quinta-feira passada na Aula Magna foi uma bomba, toma lá, sem espinhas, sem teimas, a todo o gás!

02 dezembro 2007

Maçã de Junho

“Bêbado ou sóbrio, ele canta sempre bem” – disse a fã encantada à saída do Coliseu para o microfone que lhe era estendido por uma TV qualquer que ontem pôs no ar esta original opinião.
Não aguento ouvir o palavreado papagueado destas pequenas cabeças.

É por causa disto, e de todos os istos e aquilos que surgem sempre que de ti, Jorge, se fala ou a ti, Jorge, ouvimos cantar, que já não vou ver-te tocar ao vivo faz tempo.

Mas regala-me ter barriga cheia de cenas e sons da altura em que descobri que o Bairro do Amor se podia ver ao vivo e nas cores dos lápis que o pintavam, ali no Ritz Club até às 3 da manhã ou mais, não fosse haver teste da Faculdade dali a poucas horas. Daí a descobrir que aquele Bairro era uma célula da Terra do Amor, foi um gosto!
Vi que o mundo pára só para te ouvir com o piano, com a guitarra e para te ver a sacudir o cabelo, a fazer subir um ombro, a levantar o pé para depois fazer bater o calcanhar. Muito.
Hoje guardo tudo isto aqui algures, cá atrás do meu pulmão esquerdo. Em cima. E oiço-te quando me apetece com o esforço do primir de um botão.

Há três anos atrás aventurei-me a ir até ao Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra. Tentei. Ouvi. Esperei. Mas não funcionou. Os piropos não tinham mudado e daquela vez até se juntaram alguns comentários cegos-e-surdos incapazes de compreender, ou de aceitar, que tivesses tido a intenção de apresentar o teu último álbum tocando-o pela ordem tal qual está no CD. Pequenas cabeças de palavras papagueadas. Porque é que têm de ser assim?

O.k., tiro a mão do queixo e não penso mais nisto, pá!

27 novembro 2007

Zumbido!

Num site ultra-secreto (clicai sobre a imagem acima) vende-se máquina fotográfica com super poderes.
De um zumbido poderoso, grandes olhares, corpo cheio de prata esta bomba só pode ser o novo amor do Harry Potter de Vila Nova da Rabona. Será que até tira bicas?

Convido-vos a mergulharem bem fundo na Descrição e nas Especificações, venham depois à tona tomar fôlego para uma nova imersão. E divirtam-se, desatem esta confusão até chegar ao que estaria escrito no inglês original

Deixo aqui o link da versão original.

01 novembro 2007

"O Construtor Solness"

http://www.teatro-cornucopia.pt/htmls/conteudos/EEuEZkyEZuzyogOkco.shtml

O Construtor Solness, de Henrik Ibsen, 1892
encenação de Carlos Aladro,
pelo Teatro da Cornucópia, 2007

Bem sei que as representações estão mesmo no fim e é à vontade que aposto que todos os leitores deste blog já foram espreitar os artistas da Cornucópia (parece-me que 93% deles foram juntos!). Mesmo assim, sem o propósito de convencer vivalma, sem o propósito de partilhar uma experiência única aos que não terão ido e sem a intenção de vir para aqui, mais uma vez, despejar uma carrada de elogios àqueles senhores, sinto que tenho de escrever mais um post sobre o trabalho que eles fazem ou, melhor, sobre o que sinto quando assisto ao resultado do trabalho que eles fazem.

A vida ocupada que tenho tido (nota-se!) levou-me desta vez à plateia do Teatro do Bairro Alto sem ter lido quase nada sobre a peça. Do dramaturgo, o norueguês Ibsen das barbas engraçadas, já tinha gostado muito da Casa da Boneca, pela Companhia Teatral do Chiado, que vi há uns anos (ui há 3? Já?!!).

Mas deste Construtor eu pouco mais sabia para além do que o título sugere e do que lera algures sobre uma jovem (Beatriz Batarda) que havia de aparecer na vida de Solness (Luís Miguel Cintra) para lhe cobrar uma promessa que este lhe fizera há 10 exactos anos.

Não sei se terá sido por esta ausência de pistas; se por ter esperado, durante duas semanas, que chegasse o dia da nossa ida (e não é que naquele Domingo acordei excitadíssima com o programa para a matiné).

A verdade é que logo que a peça começou eu fui por ela engolida. Engolida, engolida. Fui parar à pança daquele ogre comilão de boca grande assim que o velho e doente Knut Brovik fecha a porta da sala de trabalho para poder falar com o construtor Solness em particular. Senti-me, de repente, impelida a me levantar, a sair dali porque era só o que faltava ficar a escutar aquela conversa que ele queria privada. A tempo me lembrei que estava "apenas" na assistência e deixei-me ficar sentada quietinha, aceitando ser parte da digestão daquele ogre. Lá fui enrolada para trás e para frente,

(por um enredo realista ou fantástico? por verdades ou mentiras? por um Solness duro ou terno? um Solness Deus ou Solness suicída? por uma Hilde infantil ou sábia? por uma crítica ao confronto de gerações ou à tristeza da vida burguesa? Ai e tantos pares mais houve que nem sei se é justo deixar estes aqui escritos)

lá fui vítima daqueles sucos gástricos que me tiraram os habituais super-poderes de espectador, nunca me deixando, nunca sequer me deixando tentar, antecipar-me à acção. O raio dos sucos fizeram-me acreditar que o que estava a ver não era um enredo: era um É Mesmo A Sério.

No fim, nas vénias que aqueles artistas-mágicos faziam ao som das palmas teimosas da assistência, procurei de imediato a cara da Teresa Sobral e suspirei quando a vi sorrir e me acalmei por ela não ser só a Aline Solness, mãe sem filhos ou mulher sem bonecas? que vivia há uma dúzia de anos mais triste e mais morta e que alguém já enterrado.

Finalmente o ogre cuspiu-me. Devolveu-me à Terra mas deixou-me cair do alto e ainda demorei uma noite inteira a recuperar desta experiência brutal.

De ver e chorar por mais bilhetes que já não há!