10 dezembro 2007

Mas Qual Teima?

Eles são dias de céu mesmo-azul e ar mesmo-fresco. São o Cabo Sardão com cegonhas e o Alentejo que até lá nos leva, são o rio Douro, o Mondego, o Tejo e o Sabôr, são estuários de Norte a Sul. São um pires de arroz doce acabadinho de fazer, são açúcar queimado em caramelo, são uma caixinha com uma dúzia dos conventuais Celestes e, já que estamos na altura, são azevias de grão de bico. São uma bica bem tirada, são verdadeiras morcelas de arroz com grelos, são bacalhau cozido com suave banho de azeite, são um robalo escalado. São vinho verde leve do gás, são vinho do Dão espesso da força, são um Raízes tinto do Ribatejo. São um muro acabado de caiar, são azulejos a revestir uma igreja, são calçada de calcário, são beirados com ninhos. São barros de Barcelos, oiros de Viana, festas de Campo Maior, estrelícias dos Açores. São cerejas, são morangos, são figos, Figos e Moutinhos e Cristianos e Vanessas e Naides e Telmas. São garranos no prado, são castro-laboreiros e serras-da-estrela. São inteligentes vias verdes e mb nets e declarações online, mesmo as do IRS. São raros Cornucópias e Ballets Gulbenkians e planos Bês e Bzs e Sinais. São quentes cobertores de papa e grossas mantas de Minde, cestos de vime com pão caseiro de Moitas Vendas que se vai ensopando numa sopa de nabo. Eles são todas estas coisas que, de entre tantas outras, só nós temos e das quais só nós conseguimos gostar assim tão-tanto-tão!

Mais palavras para quê? Os Clã são do melhor do português! Deles já só se espera o Tudo e ainda assim aqueles 5 Artistas conseguem rebentar as nossas espectativas!

O Concerto quinta-feira passada na Aula Magna foi uma bomba, toma lá, sem espinhas, sem teimas, a todo o gás!

02 dezembro 2007

Maçã de Junho

“Bêbado ou sóbrio, ele canta sempre bem” – disse a fã encantada à saída do Coliseu para o microfone que lhe era estendido por uma TV qualquer que ontem pôs no ar esta original opinião.
Não aguento ouvir o palavreado papagueado destas pequenas cabeças.

É por causa disto, e de todos os istos e aquilos que surgem sempre que de ti, Jorge, se fala ou a ti, Jorge, ouvimos cantar, que já não vou ver-te tocar ao vivo faz tempo.

Mas regala-me ter barriga cheia de cenas e sons da altura em que descobri que o Bairro do Amor se podia ver ao vivo e nas cores dos lápis que o pintavam, ali no Ritz Club até às 3 da manhã ou mais, não fosse haver teste da Faculdade dali a poucas horas. Daí a descobrir que aquele Bairro era uma célula da Terra do Amor, foi um gosto!
Vi que o mundo pára só para te ouvir com o piano, com a guitarra e para te ver a sacudir o cabelo, a fazer subir um ombro, a levantar o pé para depois fazer bater o calcanhar. Muito.
Hoje guardo tudo isto aqui algures, cá atrás do meu pulmão esquerdo. Em cima. E oiço-te quando me apetece com o esforço do primir de um botão.

Há três anos atrás aventurei-me a ir até ao Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra. Tentei. Ouvi. Esperei. Mas não funcionou. Os piropos não tinham mudado e daquela vez até se juntaram alguns comentários cegos-e-surdos incapazes de compreender, ou de aceitar, que tivesses tido a intenção de apresentar o teu último álbum tocando-o pela ordem tal qual está no CD. Pequenas cabeças de palavras papagueadas. Porque é que têm de ser assim?

O.k., tiro a mão do queixo e não penso mais nisto, pá!

27 novembro 2007

Zumbido!

Num site ultra-secreto (clicai sobre a imagem acima) vende-se máquina fotográfica com super poderes.
De um zumbido poderoso, grandes olhares, corpo cheio de prata esta bomba só pode ser o novo amor do Harry Potter de Vila Nova da Rabona. Será que até tira bicas?

Convido-vos a mergulharem bem fundo na Descrição e nas Especificações, venham depois à tona tomar fôlego para uma nova imersão. E divirtam-se, desatem esta confusão até chegar ao que estaria escrito no inglês original

Deixo aqui o link da versão original.

01 novembro 2007

"O Construtor Solness"

http://www.teatro-cornucopia.pt/htmls/conteudos/EEuEZkyEZuzyogOkco.shtml

O Construtor Solness, de Henrik Ibsen, 1892
encenação de Carlos Aladro,
pelo Teatro da Cornucópia, 2007

Bem sei que as representações estão mesmo no fim e é à vontade que aposto que todos os leitores deste blog já foram espreitar os artistas da Cornucópia (parece-me que 93% deles foram juntos!). Mesmo assim, sem o propósito de convencer vivalma, sem o propósito de partilhar uma experiência única aos que não terão ido e sem a intenção de vir para aqui, mais uma vez, despejar uma carrada de elogios àqueles senhores, sinto que tenho de escrever mais um post sobre o trabalho que eles fazem ou, melhor, sobre o que sinto quando assisto ao resultado do trabalho que eles fazem.

A vida ocupada que tenho tido (nota-se!) levou-me desta vez à plateia do Teatro do Bairro Alto sem ter lido quase nada sobre a peça. Do dramaturgo, o norueguês Ibsen das barbas engraçadas, já tinha gostado muito da Casa da Boneca, pela Companhia Teatral do Chiado, que vi há uns anos (ui há 3? Já?!!).

Mas deste Construtor eu pouco mais sabia para além do que o título sugere e do que lera algures sobre uma jovem (Beatriz Batarda) que havia de aparecer na vida de Solness (Luís Miguel Cintra) para lhe cobrar uma promessa que este lhe fizera há 10 exactos anos.

Não sei se terá sido por esta ausência de pistas; se por ter esperado, durante duas semanas, que chegasse o dia da nossa ida (e não é que naquele Domingo acordei excitadíssima com o programa para a matiné).

A verdade é que logo que a peça começou eu fui por ela engolida. Engolida, engolida. Fui parar à pança daquele ogre comilão de boca grande assim que o velho e doente Knut Brovik fecha a porta da sala de trabalho para poder falar com o construtor Solness em particular. Senti-me, de repente, impelida a me levantar, a sair dali porque era só o que faltava ficar a escutar aquela conversa que ele queria privada. A tempo me lembrei que estava "apenas" na assistência e deixei-me ficar sentada quietinha, aceitando ser parte da digestão daquele ogre. Lá fui enrolada para trás e para frente,

(por um enredo realista ou fantástico? por verdades ou mentiras? por um Solness duro ou terno? um Solness Deus ou Solness suicída? por uma Hilde infantil ou sábia? por uma crítica ao confronto de gerações ou à tristeza da vida burguesa? Ai e tantos pares mais houve que nem sei se é justo deixar estes aqui escritos)

lá fui vítima daqueles sucos gástricos que me tiraram os habituais super-poderes de espectador, nunca me deixando, nunca sequer me deixando tentar, antecipar-me à acção. O raio dos sucos fizeram-me acreditar que o que estava a ver não era um enredo: era um É Mesmo A Sério.

No fim, nas vénias que aqueles artistas-mágicos faziam ao som das palmas teimosas da assistência, procurei de imediato a cara da Teresa Sobral e suspirei quando a vi sorrir e me acalmei por ela não ser só a Aline Solness, mãe sem filhos ou mulher sem bonecas? que vivia há uma dúzia de anos mais triste e mais morta e que alguém já enterrado.

Finalmente o ogre cuspiu-me. Devolveu-me à Terra mas deixou-me cair do alto e ainda demorei uma noite inteira a recuperar desta experiência brutal.

De ver e chorar por mais bilhetes que já não há!

12 outubro 2007

É oficial: tenho telemóvel!

Riam-se entre dentes ou à descarada, batam com a mão na testa, deixem tremer de pasmo a vossa caudinha diabólica. Chorem, rebolem escarlates, trepem ao telhado do maior arranha-céus de Sacavém. Surpreendam-se ou repreendam-me: Toma lá, vês? Um dia havia de chegar. Também tu és uma comum mortal! Ou em alternativa: bocejem e não leiam o post.

E foi mesmo, o dia chegou. Chegou há cerca de um mês atrás quando esta minha vida deu um nó de escota difícil de gerir não fosse esta coisa que agora me acompanha tal cão de estimação, tal medalha de fio de oiro herdada, tal pulseira do São Salvador da Baía. Chegou o dia em que deixou de me ser suficiente parasitar o telemóvel Nokia do Quico ao ritmo de dois ou três minutos por mês. Depois de um período à experiência, deixei-me de tretas e assumi a relação com o telemóvel. Bagh!

Mas o raio do bicho tem que se lhe diga. Tomar conta dele não é coisa fácil e, com a minha idade, responsabilidades delgadinhas como esta custam a tornarem-se hábitos.
Tem sido uma aprendizagem esforçada:
- agora tenho mais um artigo a não esquecer quando se saio casa e que vem esticar ao limite a capacidade dos bolsos de calças ou casacos;
- tenho também mais número secreto a memorizar (e estou à espera do dia em que vou insistir com este PIN numa caixa Multibanco);
- o bicho precisa de ficar acorrentado à electricidade dia-sim, dia-não e, quando em fins-de-semana fora, até precisar de um necessaire para levar o seu carregador (ca betinho!);
- gasta mais aos cem que o próprio UMM;
- ainda hoje ando a tentar memorizar o seu tom de voz para consiguir reagir atempadamente ao seu chamamento (e arre que não vou lá! É ouvi-lo tocar, tocar, tocar, cada vez mais alto, cada vez em tom mais agudo, cada vez mais desesperado enquanto o vibrador se sobrepõe à melodia e lhe dá um agressividade de animal rugindo aos pares e ameaçando trincar-me assim que carregar no Aceitar. E enquanto isto dura eu abro pelo menos 50 fechos de 50 algibeiras num casaco ou mochila que só tem dois bolsos!!)
- quanto a controlar o tom de voz de chamamento das SMS, disso já desisti mesmo. Estou farta de procurar mas este bicho não tem um apito dos normalizados e nunca, nunca oiço um SMS a chegar;
- o que mais me demorou a descobrir, e aprendi-o às custas de falhar recados importantes, foi que o bicho precisa de estar ao pé das janelas a apanhar ar e a entreter-se com quem passa lá em baixo. É que esta casa não tem rede no seu interior, é casa-à-prova-de-bruxas;
- outra coisa que demorou foi encontrar as SMS que guardava para mais tarde enviar. (Já sabem? Este bicho arruma as Mensagens Guardadas na pasta das Mensagens Enviadas, na sub-pasta das Não Enviadas!);
- também deixei de poder fazer a piadinha de dizer, perante um telemóvel que apita, "este não é o meu". Aliás, no outro dia tentei armar a gracinha mas foi-se a ver e era mesmo o meu!,
- e no meio disto tudo lá vou aprendendo esta forma de comunicar ao estilo do "mando um toque" e do "depois ligo-te para combinar que te ligarei mais tarde para combinar mesmo";

Claro que este bicho foi-me dado (a minha loucura não vai tão longe). Era quase-refugo de generosa alma possuidora de um bisneto de outra moderna geração tecnológica. Foi assim que me calhou um Alcatel que tecla "SIM" onde o Nokia teclava "ESCAPE", que "ABORTA" onde o outro "CONFIRMAVA" e que assim me tirou do sério, me fez perder horas a tentar mandar SMS, me fez "desistir" de chamadas que queria atender, me levou a apagar contactos que queria guardar e me fez bater com a cabeça duas vezes em sinais de trânsito e chocar outra meia dúzia delas com transeuntes.

É verdade que o bicho tem vantagens, mas ainda estou convencida que usufruem delas mais os outros do que eu.
O pior, ou o mais triste, é que este Alcatel sabe muito pouco do nosso querido português. Não tem acentos ´, ` ou ^ (excepção feita ao "à"), nem tem ~~ sobre os AA. Vale-me que tenha um N com ~, não vá eu precisar para añunciar o dia do meu cumpleaños.
O melhor é que basta carregar em três teclas para fazer o bicho calar-se até que me apeteça!

Mal o oiço, poucas vezes o trago comigo, menos lhe carrego a bateria e do saldo nem vos conto. Em resumo: não me liguem, é mais seguro mandarem um mail!

Riam-se, tremam a cauda, chorem, rebolem, surpreendam-se mas reparem que à conta do telemóvel e desta vida de comum mortal o Respigo desbotou!

11 setembro 2007

Búzios

Para recolher pontos nas tabelas de audiências no caso da pequena Maddie parece-me que já só falta lançarem-se, ao vivo e em directo e de preferência com tambores a rufar, os búzios!

Consigo bem imaginar, num serão televisivo, o pivot a levantar-se da sua cadeira colocada entre os prós e os contras e, de microfone em punho, dirigir-se à primeira fila da sua plateia com o mesmo ar seguro e orgulhoso de um aluno chamado ao quadro depois de um serão passado a estudar a lição.

Consigo bem imaginar uma velha gorda e preta com umas patilhas de carapinha mal semeadas queixada abaixo e um olho a apontar para o infinito por causa de uma catarata avançada. Está sentada a ocupar duas cadeiras da plateia. O cabelo e o torso (o resto do corpo imagino que não esteja a ser filmado) estão escondidos em lenços atados com ráfias polvilhadas de missangas coloridas e brilhantes. Enfeita-se com colares e pulseiras onde se penduram guizos, crinas e dentes (não imaginaria tão bem que alguém se lembrasse de pendurar ao peito um crânio humano, mas lá está ele, pequenino, com lugar de destaque no colar de entre por um olho e sai pelo outro).

Depois imagino igualmente bem que o pivot agradeça a presença do convidado que acabado de chegar, até vem quase do outro lado do mundo, num esforço a que só a gravidade do caso obriga. Vai tecer-lhe uns elogios dando aos telespectadores crédito pelo seu precioso trabalho, faz uma pergunta, dá logo a respectiva resposta e feita que está a cama lá pergunta: Diga-me que foi que aconteceu à Maddie?
Sem responder, pelo punho da manga esquerda a velha gorda vai puxar por uma ponta de um pano retorcido como uma tripa. Puxa tudo até ao fim e, juntando as duas extremidades, sacode aquele intestino. Ouvem-se os guizos dos colares e das pulseiras, chocalha o crânio pendurado mas mesmo assim se adivinha que os búzios se baralham. Revira os olhos e beija o pano. No seu espaçoso colo, a lançadora pousa o pano e deixa que ele se desdobre por si só. Os búzios mostram-se, rebolam e baloiçam até que se aconchegam à topografia própria daquele regaço. Perante tal invulgar arrumação das peças espantam-se Os Prós com “Ooh” de Ora-toma-lá e se espantam Os Contras com “Aah” de Eu-bem-te-disse.

Baralhado fica também o pivot que retoma a pergunta O que foi que aconteceu à Maddie?. Pela primeira vez o microfone na sua mão faz soar pelo anfiteatro uma voz seca e áspera como um carapau aberto a secar ao sol. Apontando o olho bom para a cara do jornalista, a velha disse em tom cúmplice: Num posso dizê o qui aconteceu. É sigredo di justiça.

Fácil de imaginar!

Porque é que não somos nós capazes de deixar o Tempo demorar o seu tempo?
Estamos nesta vida cada vez mais impacientes. Queremos tudo, tudo rápido, tudo já e nem sabemos esperar com calma pelos próximos episódios. Esperemos e logo se verá como foi que poisaram os búzios. Certo é que a nossa pressa não apressa o tempo do Tempo.

30 agosto 2007

O mais ágil

http://www.wcsn.com/article/news.jsp?ymd=

Donald Thomas (1984), Bahamas
Mundiais de Ateletismo, Osaka 2007

Finalmente ao quinto dia plantei-me em frente à televisão e vi toda a jornada dos mundiais de atletismo de Osaka.
Calhou-me o concurso que escolhe o mais ágil de todos os atletas: o salto em altura. É um concurso muito emocionante de se assistir, com o seu estilo roda-bota-fora que vai excluindo uns e dando oportunidades sucessivas aos que em três tentativas conseguem saltar sobre a fasquia poisada cada vez mais alta. E foi assim que, depois de apenas plantada, cheguei mesmo a ganhar raízes sentada ali no sofá.

O cubano Victor Moya era uma séria esperança para ficar entre os 3 primeiros, em parte por ser conterrâneo do saltador Javier Sotomayor (o atleta que mais próximo do céu chegou saltando a partir da Terra quando, em 1993, superou a fasquia colocada aos 2,45m). Nos mundiais de Helsínquia, em 2005, foi Victor Moya quem conquistou meia medalha de prata. Mas hoje falhou, por 3 fatais vezes, o salto a 2,33 e nem chegou a ver os degraus do pódio.

A outra metade dessa mesma medalha ganha na Finlândia foi parar ao peito do Russo, Yaroslav Ribakov, que hoje se empenhou e fez uma muito melhor prestação tendo guardado a medalha de prata inteirinha só para só para si.

O sueco Sthefan Holm era, mais do que candidato a uma das medalhas, candidato ao próprio título. Sthefan Holm é um veterano de 31 anos de idade que nunca conquistou medalhas de ouro em mundiais de atletismo (pobre coitado, pode gabar-se apenas do primeiro lugar nos Olímpicos de Atenas e outros primeiros em pista coberta). Para além destas razões que, quanto a mim seriam bem mais que suficientes para um homem ser reconhecido com a primeira das medalhas em mundiais, o sueco estava a fazer um concurso limpinho. Tendo prescindindo do primeiro salto, superava à primeira a fasquia que ia subindo: 2,21; 2,26; 2,30; 2,33. Mas depois: 2,35; 2,35; 2,35 foram 3 tentativas e 3 derrubes desta fasquia que lhe valeram um 4º. frustrado lugar. Será que para o ano há mais?

A medalha de bronze foi para o jovem cipriota Kyriakos Ioannou que superou os 2,35 à segunda tentativa, que depois se espalhou redondo no 2,37 mas que, ainda assim, bateu por duas vezes o record nacional que estabeleceu ele próprio ainda no início deste ano de 2007.

E eis que aparece aos saltos Donald Thomas. Jovem com os mesmos 23 anos de idade que o cipriota, Donald Thomas vem das Bahamas mas vem também do basquetebol. Enquanto que o cipriota anda em campeonatos de salto em altura desde os seus 17 anos, Donald Thomas iniciou-se nisto apenas o ano passado.
Reza o que já é uma lenda que tudo começou com uma aposta entre amigos num café, depois de uma partida de basquete. Dois meses depois desta aposta, Donald Thomas conquistava o 4º. lugar nos jogos da British Commonwealth em Melbourne (calçado de ténis de basquete porque ainda não tinha tido tempo para se habituar aos pitons das sapatilhas de salto em altura).
E hoje, em Osaka, 18 curtos meses depois de Melbourne, Donald Thomas ganha o ouro. Limpinho!

Quando saltou, logo à primeira, os 2,35m Donald Thomas mais que truques de magia exibiu-nos quase-milagres. Podem ver o salto aqui, clicando na linha escrita a azul no topo direito da fotografia; ou aqui seleccionando "Wednesday 29 Aug", "Evening", "Men High Jump Final" (ufa!).
Reparem como primeiro suspendeu o tempo enquanto impulsionava o seu corpo (dei por isso claramente pelo bater lento do coração, pelo silêncio em que a rua ficou).
Depois mandou vir uma parede invisível ao longo da qual trepou para ganhar altura (num estilo um tanto ou quanto estranho para esta disciplina de atletismo porque enquanto sobe dá às pernas como se corresse ou se pedalasse numa bicicleta).
E por fim, mandou parar por instantes a força da gravidade enquanto se esticava para, com o corpo já deitado, se desviar da fasquia (eu, a televisão, o tapete levitámos também!). Nada mau, ein?

Bom, e agora que as minhas raízes vão mais fundas, aproveito para ficar aqui à espera dos Olímpicos de Pequim para ver se este Donald Thomas jovem-surpresa-mágico se continuará a revelar tão bom. A sua fasquia está alta. Tão alta quanto o incrível Sotomayor a deixou!

E para terminar, os parabéns se enviam aos atletas portugueses. A todos!

17 agosto 2007

Com as mãos na massa!

Como a malta sabe, a própria malta anda a rechear de lama a casa do Pedro e por isso tem tido pouco tempo para vir passear aos blogues dessa mesma malta.

Na véspera do terceiro workshop deixo algumas brevidades sobre o que têm sido estes dias passados a moldar a terra do local nos triângulos de madeira que formam a estrutura da casa.

Trabalhar com a terra misturada com areia e água é um prazer. Não há manuais, nem palestras, nem receitas milimetricas mas umas mãos interessadas num instante descobrem por si qual a mistura ideal de barro (com mais água para aqui, mais seco para ali, esta precisa de ser mais amassada) ou como rechear melhor cada triangulo (onde esborrachar, onde dedilhar, onde pressionar, onde dar palmadinhas, onde molhar). A tarefa destapa-nos um estranho "instinto-primário".
Esta tem sido uma aventura partilhada por vários voluntários. Alguns deles são amigos, outros amigos de amigos, outros são família, outros são interessados completamente espontâneos. Tudo "gente de escritóri" capaz de trocar um Sábado estival por uma jorna nas obras! E a gente vai e a gente repete, mesmo a gente "espontânea" que carrega, inevitavelmente, uma motivação maior que todos!
Por mim, acho que nunca me senti tão próxima de um pássaro como enquanto me dedico com toda a paciência a calcar um triângulo com lama fresca que há-de ser parede, que há-de ser casa.

Temos assim passado uns belos dias e avaliando pelo que falta, e aqui que o Cliente-Pedro não me ouve, muitos belos outros se avizinham.

E agora vou dormir porque amanhã levanto-me com o pedreiro!

07 agosto 2007

Memória Bárbara


Deus existe?

No último post eu tinha acabado de chegar a um PC semi-público com o portátil às costas, os ombros descaídos, o cabelo no ar e a arrastar a cauda pelo chão. Depois de consultada a minha caixa de correio electrónico e de feito o gostinho ao dedo com a publicação do post, googlava então "pci.sys". Digo-vos com toda a franqueza: fi-lo por inspiração do post, por hábito em criar links para complementar a informação que transmito, não com esperança de ver o problema resolvido.
Verdade verdadinha é que a esperança, essa, tinha definhado há poucos minutos, depois da conversa com o tal "amigo" que mais não era do que um pálido conhecido de um verdadeiro amigo e ao mesmo tempo um sortudo contemplado com um CD do Windows XP. O ficheiro pci.sys parecia estar corrompido e a mensagem de erro dizia para voltar inserir o CD do Windows para que se procedesse à recuperação do sistema operativo. Várias vezes inserido o CD na drive, sistematicamente a mesma mensagem: "erro 4" nhã-nhã-nhã "o Windows não pode continuar". E do amigo Ah pois, assim é mais difícil se nem a drive colabora. Parece-me é que o disco já deu o badagaio (sempre é melhor dar isto do que dar o "peido mestre", como já ouvi ameaçar!). Estas coisas estragam-se. O melhor é tentares salvar os ficheiros. Pode ser que ainda dê. Pode ser que ainda se consiga aceder ao disco mas é preciso arranjar um adaptador (pareceu-me ser este um objecto raro, disponível só em Vénus ou Marte e talvez só a partir do ano de 2343). Daqui não há mais nada a fazer (ai!).

O horror, a tragédia, a desgraça, a catástrofe. É sentimento azedo ver morta uma coisa que não devia sequer ser pensada como sendo coisa-viva. Que dor no peito, na barriga, na alma. Todas elas moendo apenas e só o Desgraçado que tem os ficheiros lá dentro Mas que raio, porque é que o meu último back up é de há três anos, porque é que não tenho os Favoritos guardados na pen. E resigna-se este Desgraçado. Deixa-se convencer que com o tempo o esquecimento atenuará a dor e conforta-se no apoio das palavras ditas por aqueles que partilham este momento em directo e nas palavras escritas pelos que comentam o post que anuncia a desgraça.

Lamuriava-me assim sobre o meu triste fado quando o Google me devolve os resultados da busca. Em primeiro lugar propõe-me um link com ar sério proveniente da Microsoft support. Sintomas em Windows 2000: …, resolução para o Windows 2000:… Resolução? Olá-olá, será isto um pontinho luminoso que vejo ali ao fundo?
Refinei a minha pesquisa googlando o nome do ficheiro em conjunto com o sistema operativo correcto. Et voilá! Sintomas: mensagem de erro diz que o pci.sys está corrompido? (Sim diz…), uma vez inserida a consola de recuperação devolve "erro 4"? (SIM, DEVOLVE!) Resolução: desligue todas as coisas da net (não tenho nada disso ligado) e se o mal persistir (ai… sim? SIM?) retire cada slot de memória uma a uma, reiniciando o PC até descobrir qual é a ruim (Ah! É? Juram?). E o pontinho luminoso abriu o diafragma transformando-se num brutal foco que me envolveu com a sua luz divina, me vestiu de tule branco semeado de miosótis azuis e perfumados, me fez saírem estrelinhas da testa que soaram prilimpimpim e, acho que não exagero se disser que o foco de luz, até me fez levitar o rabo da cadeira. Ao fundo, comecei a ouvir a Barbra Streisand no seu Memory.
Iluminada, saquei o portátil mesmo ali. Enquanto desaparafusava a tampa, atrás da qual se arrumam as memórias, as minhas mãos tremiam (stress? excitação? Ná! Tremiam porque, como não tinha ali ao pé nem uma micro chave-de-cruz, nem o meu canivete suíço, nem a mala do Sport Billy. Eu estava a realizar aquela operação com um jeitoso molhinho de 3 agrafos – ou acham que eu ia esperar por chegar a casa para ver se o truque funcionava, ã?). Tirei logo a primeira memória que me apareceu à frente. Sabia que era uma extensão (instalada há 4 anos) da memória original. Voltei a aparafusar (ou agrafar) a tampa. Inspirei fundo, evoquei os Deuses, chamei à atenção e à concentração de todos os presentes e carreguei no ON. Esperei que o XP arrancasse. Arrancou. Esperei que chegasse ao fim. Chegou. Esperei que o Desktop se escancarasse à minha frente. Esperei. Esperei. Esperei. E apareceu. Tudo. Estava lá tudo bem desarrumadinho, tal como tinha deixado na sexta-feira de manhã.

Respigo agora a partir de casa, com um Pentium III a 746 MHz e 128 (sim, cento e vinte e oito) MB de RAM. É um terço do que tinha a semana passada. Não é que esteja "lento". Saibam que agora trabalho com o livro que ando a ler aqui ao lado do portátil e dei-lhe um valente avanço hoje! Para além ter de me conformar com este ritmo de trabalho, uma nova luta se avizinha: arranjar memória compatível com esta brava máquina, mais velha do que as coisas que se vendem pelas lojas da capital. Vamos a ver. Até lá darei um pouco de sossego ao Respigo, para que todos nós nos recomponhamos das maleitas (estou com medo que o processador "derreta" que é expressão ouvida algures!).

Se Deus existe? Ora se Dele se diz que está sempre presente e que tudo ouve e tudo vê e tudo sabe. Ora então parece-me fácil a resposta. Deus existe sim, e está neste no mundo terreno sob forma de Internet sempre presente, sempre vendo, sempre sabendo.

Se há milagres? Porque é que não há-de haver? Afinal se uma excepção fatal faz estragar-se o pci.sys porque é que não haverá uma também excepção, benigna desta vez, que resolva o problema. E é esta a mensagem divina que aqui vos deixo: antes de desesperar e formatar… inspirem fundo, ide à net, confiem e se for o caso liguem-me!

Ontem fomos ao cinema, partir o coco a rir com the Simpons, Movie. O meu coco gostou muito de se partir, mesmo ainda mal refeito que estava dos pedacinhos em que em que vivera disperso estes últimos dias.
Só não fui a tempo de jogar no EuroMilhões, mas já o fiz hoje, quem sabe se iluminada pela estrelinha de ontem.

06 agosto 2007

pci.sys

Na sexta passada foi-se o pci.sys.
Primeiro foi o terror: boca seca e transpiração estratégica (seria dos 40º graus que bafejavam Santarém?). Depois foi o desespero: estática de mão no queixo a olhar para aquela caixa (lembrou-me o ET embrulhadinho num pano plástico). Seguiu-se o vazio: o fim-de-semana inteirinho a sentir-me amputada -não sem mãos nem sem braços, mas sem conseguir alcançar todo o mundo onde estes dedos tocam quando me sento a um teclado. E depois foi a ressaca: afinal como, nos dias de hoje, se entretém a alma com coisas palpáveis?Certo certo é que o meu Windows foi vítima de um temível QCSP.
Hoje, segunda-feira, telefonei para a Toshiba: aconselharam-me a "falar com um amigo" (simpática, ein?!). Levei o portátil ao amigo: disse-me que o meu leitor de CD’s não estava a conseguir ler (desalfabetizou!) o CD do Windows e que assim sendo, nada feito para já. “Impossível de reparar” (ui!), “desmontar tirar o disco para arranjar forma da salvar os ficheiros” (aich!), o disco deve ter atingido o limite de idade de vida (aaaahh!).
De momento estou a bordo de um PC público (ou quase). Vim à net ver os mailes, satisfazer o vício do Blogue e, já agora, porque não tentar recolher ter pistas sobre este problema. Não, não acredito em milagres mas por isso mesmo também não amocho já, só por ter “dado o badagaio” a um tal ficheiro pci.sys.
Vamos ver quando volta o Respigo!